4 de novembro de 2017

Nitroprussiato em infusão EV contínua: dose máxima, diluição, estabilidade, extravasamento e compatibilidade.

NITROPRUSSIATO

Nitrop®, Nipride®; nitroprusseto de sódio; NPS; nitroprusside sodium (DCI).


Indicação: vasodilatador arterial e venoso, reduzindo resistência vascular arterial e aumentando o pool venoso; ação direta no músculo liso vascular, formando óxido nítrico, responsável pela vasodilatação. Indicado para estimular o débito cardíaco e para reduzir as necessidades de oxigênio do miocárdio na ICC secundária ao IAM, redução rápida da pressão arterial em crises hi­pertensivas.

Descrição: ampola com 50 mg + diluente com 2 mL. Não realizar infusão em injeção IV direta, devido ao risco de hipotensão irreversível e choque.  Não aplicar via IM. Nunca administrar em infusão IV intermitente gota/gota. Para infusões longas, devemos estar atentos e saber reconhecer os sinais de intoxicação por cianeto. Injeção com pH 3-6. Estocar em temperatura ambiente, não congelar e proteger da luz.(5,6)

Posologia: Adultos e crianças: dose de 0,5-8 mcg/kg/min, IV.

Dose máxima em adultos: 10 mcg/kg/min IV para 10 min.(12)
        
                                                                                                                                                                      
Dose na insuficiência renal: não é necessário o ajuste da dose; na anúria: dose limite de 1 mcg/kg/min.(9,10,11)

Hemodiálise: não é necessário o ajuste da dose.(10)

Dose na insuficiência hepática: não é necessário o ajuste da dose.(10)

Reações adversas: com redução rápida da pressão arterial, podem ocorrer: náuseas, vômitos, sudorese, cefaléia, vertigem, palpitações, apreensão, tremores musculares, desconforto retroesternal e dor abdominal. Esses sintomas desaparecem se a velocidade da infusão for mais lenta ou se a infusão for interrompida temporariamente; bradicardia, alterações no ECG, hipotireoidismo, íleo paralítico, redução da agregação plaquetária, aumento da pressão intracraniana, rubor, irritação no local da aplicação e erupções cutâneas.  

Precauções: cuidado na insuficiência renal, hepática e no hipotireoidismo. O frasco do soro, bem como a extensão do equipo e do conector, deverão ser revestidos com material radiopaco, pois o medicamento é sensível à luz e sua exposição inativa seu efeito. A troca da solução deverá ser realizada a cada 6 h. Utilizar bomba de infusão para sua administração.

Monitorização do paciente: manter nível de tiocianato <50 mg/L. É contra-indicado para pacientes que sofrem de hipertensão compensatória, por exemplo, nos pacientes com 'shunt' arteriovenoso ou estenose da aorta; com atrofia ótica congênita ou com ambliopia por tabagismo; com ICC aguda, associada com RVP reduzida e para produzir hipotensão nas cirurgias em pacientes com inadequado fluxo sangüíneo cerebral ou pacientes moribundos.

Diluição: ampola 50 mg/2 mL.

Concentração Inicial
Diluente
Volume Total de Infusão
Concentração Final
50 mg
SF 0,9% ou SG 5%
1.000 mL
50 mcg/mL
50 mg
SF 0,9% ou SG 5%
500 mL
100 mcg/mL
50 mg
SF 0,9% ou SG 5%
250 mL
200 mcg/mL
50 mg
SF 0,9% ou SG 5%
125 mL
400 mcg/mL

Concentração máxima: 200 mcg/mL.(9)

Vias de administração: IV: infusão IV contínua.

Diluente, volume final e tempo de infusão: RL, SF 0,9%, SG 5%.  Infusão IV contínua: doses de 50-100 mg: diluir em 250 mL e monitorar os sinais clínicos dos pacientes. Para adaptar a dose individualmente a cada paciente, pode-se diluir primeiro a solução concentrada em 1.000 mL (1 gota = 3 mcg de nitroPRUSSIATO e 1 microgota = 1 mcg de nitroPRUSSIATO). Restrição hídrica: 50 mg:125 mL (400 mcg/mL).

Velocidade de infusão: inicial (mL/h) e infusão máxima (mL/h).

Dose
Velocidade
200 mcg/mL
Inicial
200 mcg/mL
Máxima
100 mcg/mL
Inicial
100 mcg/mL
Máxima
50 mcg/mL
Inicial
50 mcg/mL
Máxima
Peso (kg)
mL/h
mL/h
mL/h
mL/h
mL/h
mL/h
10
1
30
2
60
4
120
20
2
60
4
120
7
240
30
3
90
5
180
11
360
40
4
120
7
240
14
480
50
5
150
9
300
18
600
60
5
180
11
360
22
720
70
6
210
13
420
25
840
80
7
240
14
480
29
960
90
8
270
16
540
32
1080

    Protocolo de tratamento do extravasamento: limpar a área com álcool. Aplicar suavemente compressa FRIA durante 30 min a cada 4 h durante 24 h. Aplicar hidrocortisona 1% creme a cada 6 h durante 7 dias, se eritema persistir. Adaptado de: Cardiff and Vale University Health Board. Procedure for managing an extravasation. October 2016. Cardiff. UK.(7)

Riscos extravasamento: se concentração 2 mg/mL, infusão VVC(8); irritante.


Medicamento
pH
Osmol
Excipientes
Extravasamento
Nitroprussiato de sódio
3,5-6
-
-
Irritante


Compatibilidade na administração de via: acetato de potássio, acetato de sódio, ácido aminocaproico, ácido zoledrônico, ALENTUzumabe, ALfentanila, alprostadil, amicacina, amiNOFILina, anfotericina B complexo lipídico, anfotericina B LIPOSSOMAL, anidulafungina, argatroban, asparaginase, atenolol, ATROPina, AZITromicina, aztreonam, benztropina, bicarbonato de sódio, bivalirrudina, bleomicina, bretílio, bumetanida, buprenorfina, butorfanol, cangrelor, capreomicina, CARBOplatina, carmustina, cefamandol, ceFAZolina, cefoperazona, cefOTAXima, cefoTEtan, cefOXitina, cefTRIAXona, ceftizoxima, cefuroxima, cimetidina, cianocobalamina, cicloFOSFAMida, cicloSPORINA, CISplatina, citarabina, clindamicina, cloranfenicol, cloreto de cálcio, cloreto de potássio, dacarbazina, DACTINomicina, DAPTOmicina, DEXAmetasona, dexmedetomidina, dexrazoxano, digoxina, diltiazem, DOCEtaxel, dolasetrona, DOPamina, doxacúrio, doxiciclina, DOXOrrubicina, DOXOrrubicina LIPOSSOMAL, eFEDrina, EPINEFrina, EPIrrubicina, epoetina alfa, eptifibatida, ertapenem, esmolol, estreptoQUINASE, etoposido, etoposido (fosfato), famotidina, FENILEFrina, FENObarbital, fenoldopam, fentaNILA, fentolamina, fitomenadiona, fluconazol, fludarabina, fluoruracila, folinato de cálcio, foscarnete, fosfato de potássio, fosfenitoína, furosemida, GANciclovir, gatifloxacino, gentuzumabe, GENCITabina, GENTAmicina, glicopirrolato, gluconato de cálcio, granisetrona, heparina, hidrocortisona, HIDROmorfona, IDArrubicina, ifosfamida, inamrinona, indometacina, insulina regular, isoproterenol, ketorolaco de trometamol, labetalol, lepirrudina, lidocaína, linezolida, LORazepam, manitol, mecloretamina, meperidina, metadona, metaraminol, metilPREDNISolona, metoclopramida, metoprolol, metroNIDAZOL, micafungina, midazolam, milrinona, mivacúrio, morfina, nafcilina, nalbufina, naloxona, nesiritida, netilmicina, niCARdipino, nitrato de gálio, nitroGLICERINA, NOREPINEFrina, octreotida, ondansetrona, oxacilina, OXALiplatina, ocitocina, PACLitaxel, palonosetrona, pamidronato, pancurônio, penicilina G potássica, penicilina G sódica, pentamidina, PENTobarbital, piperacilina, piperacilina-tazobactam, piridoxina, polimixina B, procainamida, propofol, propranolol, protamina, ranitidina, rocurônio, suxametônio, SUFentanila, sulfato de magnésio, tacrolimo, teniposido, teofilina, tiamina, ticarcilina, ticarcilina-clavulanato, tigeciclina, tirofibana, tobramicina, tolazolina, topotecano, trióxido de arsênio, uroquinase, vancomicina, VASopressina, vecurônio, verapamil, vimBLAStina, vinCRIStina.(3)

Compatibilidade na seringa: cafeína, heparina, naloxona, salbutamol.(3)

Incompatibilidade na administração de via: Aciclovir, ácido ascórbico, anfotericina B, azaTIOprina, caspofungina, cefTAZidima, clorproMAZINA, dantroleno, DAUNOrrubicina, DAUNOrrubicina LIPOSSOMAL, diazepam, diazóxido, difenidrAMINA, eritromicina, fenitoína, garenoxacino, hidrALAZINA, hidrOXIzina, irinotecano, levofloxacino, mesna, mitoMIcina, mitoXANtrona, mofetila, MOXifloxacino, oritavancina, papaverina, PEMEtrexede, pentazocina, proclorperazina, prometazina, sulfametoxazol-trimetoprima, tiotepa, vinORELBina, voriconazol.(3)

Incompatibilidade na seringa: pantoprazol.(3)

Estabilidade das soluções diluídas em:

p SG5% concentração 1 mcg/mL é de 58 dias em TA e 264 dias refrigeração em seringa.(1)

p SG5%, SF ou RL na concentração de 0,05 e 0,1 mg/mL é de 2 dias em TA em PVC.(2)

Referências bibliográficas:
1.Kaisserlian CE, Razzouq N, Astier A, Paul M. Sodium Nitroprussiate Stability at 1 µg/mL in Aqueous Solution. EJHPS. 2005;4:88-90.
2.Mahony C, Brown JE, Stargel WW, Verghese CP, Bjornsson TD. In vitro stability of sodium nitroprusside solutions for intravenous administration. J Pharm Sci 1984;73:838-839.
3.Nitroprusside. Micromedex® solutions. Disponível em: http://www.periodicos.capes.gov.br. Acesso em 30 de janeiro de 2017.
4.Nitroprusside. Disponível em: http://www.stabilis.org. Acesso em 30 de janeiro de 2017.
5.Nitrop®. Informativo do produto. 2013.
6.UCL Hospital injectable medicines administration guide. Pharmacy Department. University College London Hospitals, 3rd ed. Wiley-Blackwell. London. 2010.
7.Cardiff and Vale University Health Board. Procedure for managing an extravasation. Disponível em: http://www.cardiffandvaleuhb.wales.nhs.uk. Acesso em 20 de fevereiro de 2017.
8.Recommandations lorsque la voie veineuse est nécessaire: voie veineuse périphérique ou centrale?  Pharmacie des HUG. Disponível em: http://pharmacie.hug-ge.ch. Acesso em 29 de março de 2017.
9.Phelps SJ, Hagemann TM, Lee KR, Thompson AJ. Pediatric Injectable Drugs (The Teddy Bear Book), Tenth e d. ASHP Publications. Washington. DC. 2013.
10.Taketomo CK; Hodding JH; Kraus DM. Pediatric Dosage Handbook, 23rd ed. Lexicomp. USA. 2016.
11.Nitroprussiato. Disponível em: http://www.hospitalsiriolibanes.org.br. Acesso em 26 de julho de 2017.
12.Nitroprusside. Disponível em: http://www.pdr.net. Acesso em 24 de outubro de 2017.

17 de outubro de 2017

Segurança do paciente: análise das prescrições de unidades de terapia intensiva em um Hospital Universitário

Mauricio Lauro de Oliveira Júnior1, Rachel Nunes Ornellas1, Gilberto Barcelos Souza1, Amanda Castro Domingues da Silva2, Luiz Filgueira de Melo Neto1, Nayara Fernandes Paes1, Luiz Stanislau Nunes Chini2, Bruna Figueiredo Martins2, Mariana Souza Rocha1, Águeda Cabral de Souza Pereira1 & Márcia de Souza Antunes1.

1Hospital Universitário Antônio Pedro, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil; 2Universidade Federal Fluminense, Niterói, Rio de Janeiro, Brasil. E-mail: farmacia@huap.uff.br

Introdução: A Segurança do Paciente é uma temática que está em crescente expansão no Brasil, principalmente pela criação da Portaria Nº 529 de 2013 do Ministério da Saúde, que iniciou o Programa Nacional de Segurança do Paciente1. Nesse programa, um dos aspectos mais importantes é a utilização do medicamento, descrita no Protocolo de segurança na prescrição, uso e administração do medicamento2

Objetivo: Avaliar as prescrições em duas unidades de terapia intensiva de um hospital universitário quanto à adequação ao Protocolo de Segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos do Ministério da Saúde.

Metodologia: Foi realizado um estudo retrospectivo, em um hospital Universitário de médio porte, localizado no estado do Rio de Janeiro, onde foram analisadas as cópias das prescrições de um período de 20 dias do centro de terapia intensiva e da unidade coronariana que chegaram ao Serviço de Farmácia no mês de novembro de 2015. O referente estudo teve aprovação pelo Comitê de Ética em Pesquisa sob o CAAE 56278116.2.0000.5243.

Resultados: Foram analisadas 323 prescrições relativas ao período do estudo, totalizando 4.588 medicamentos, onde a média foi de 14,20 ± (4,22) medicamentos por prescrição. Após análise das prescrições foram contabilizados: 703 erros referentes ao Corpo da Prescrição, relacionados à identificação e localização do paciente e identificação do prescritor, com média de 2,18 erros por prescrição. Foram encontrados 16.171 erros referentes aos Medicamentos com média de 3,52 erros por Medicamento. Na totalidade foram identificados 16.874 erros, média de 52,24 erros por Prescrição. Em 100% das prescrições foram encontradas inadequações quanto às proposições do protocolo de segurança da prescrição, uso e administração de medicamentos.

Conclusão: A elevada taxa de erros na prescrição de medicamentos nos faz refletir sobre os possíveis riscos infligidos aos pacientes. Nesse contexto, fica clara a necessidade de participação ativa do farmacêutico hospitalar e clínico, que através de suas ações pode atuar como importante barreira de segurança, intervindo diretamente junto ao prescritor quanto a tais questões.

Palavras-chave: Eventos adversos, Segurança do Paciente, Erros de Prescrição.

Referências:
1.Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 529, de 01 de abril de 2013: institui o programa nacionalde segurança do paciente. Brasília, Abril de 2013.

2.Brasil. Ministério da Saúde. Portaria nº 2095, de 04 de setembro de 2013: institui o protocolo de segurança na prescrição, uso e administração de medicamentos. Brasília. 2013: 46 p.

Poster in: 9º Congresso Riopharma de Ciências Farmacêuticas. 21 a 22 de setembro de 2017. Rio de Janeiro. RJ. Brasil.

20 de setembro de 2017

Livro Manual de Farmácia Clínica e Cuidado ao Paciente

  • Editora: Atheneu
  • Páginas: 312
  • Autor: Débora C.M.F. de Carvalho; Livia M.G. Barbosa;
  • Edição: 1
  • Acabamento: Brochura
  • Ano da publicação: 2017
  • Idioma: Português
  • Série/Coleção:
  • Assunto: Farmácia & Farmacologia
  • Formato: 28,0 x 21,0 x 2,0 cm

18 de agosto de 2017

DOPamina: Infusão IV em mL/hora para DOPamina 800 mcg/mL


Descrição: cada mL contém 5 mg de cloridrato de DOPamina (ampola 10 mL). Excipientes: EDTA sódico, metabissulfito de sódio, ácido clorídrico e água para injeção. O produto é fotossensível. Não misturar DOPamina em soluções alcalinas, pois ocorre inativação. Uma coloração amarelo-castanha na solução é um indicativo de sua decomposição, não devendo ser utilizada. Injeção com pH 2,5-5. Estocar em temperatura ambiente, não congelar e proteger da luz.



Infusão IV em mL/hora para DOPamina 800 mcg/mL

Peso paciente
50 kg
60 kg
70 kg
80 kg
90 kg
100 kg
Dose mcg/kg/min
(mL/h)
(mL/h)
(mL/h)
(mL/h)
(mL/h)
(mL/h)
5
18,75
22,5
26,25
30
33,75
37,5
10
37,5
45
52,5
60
67,5
75
20
75
90
105
120
135
150
30
112,5
135
157,5
180
202,5
225
40
150
180
210
240
270
300

Referência: Souza GB. Manual de Drogas Injetáveis, 4ª ed. Medfarma. São Paulo: 2017.